Tartaruga descontaminada é levada de volta ao mar pelo Projeto Cetáceos da Costa Branca

Crédito da foto: DivulgaçãoEm 26 de setembro deste ano, a tartaruga foi resgatada na Praia da Redinha, em Natal
Se não lhe deram um nome, não foi por falta de cuidado ou atenção. Ao contrário, é por tentar evitar um sentimento mais forte de apego aos animais que são tratados e em seguida devolvidos para o meio ambiente que os membros do Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB), da UERN, usualmente não nomeiam os mamíferos, aves e répteis que são resgatados na costa do Rio Grande do Norte e do Ceará.
Mas essa estratégia não impediu a afeição demonstrada pela equipe do projeto pela pequena tartaruga-oliva, durante sua soltura no mar, na manhã desta sexta-feira (29), após dois meses de tratamento.
Em 26 de setembro deste ano, a tartaruga foi resgatada na Praia da Redinha, em Natal, ao ser encontrada com o corpo completamente contaminado pelo óleo que atinge as praias do Nordeste desde o final de agosto.
Ao longo dos 65 dias seguintes, o réptil e os cerca de 30 profissionais que atuaram no tratamento travaram uma batalha árdua. Inicialmente, o animal foi levado à Base de Estabilização do projeto em Natal, onde passou por uma série de exames e procedimentos que buscavam manter suas funções vitais.
Estressada e com dificuldades para respirar, a tartaruga-oliva – uma das menores espécies de tartarugas marinhas – apresentava quantidade elevada de óleo nas cavidades nasais e oral e nos olhos.
Após os procedimentos iniciais de limpeza e tratamento, foi transferida no dia 26 de setembro para o Centro de Descontaminação de Fauna Oleada, em Mossoró, onde recebeu suplementação vitamínica, antibióticos e sessões de terapia, além de novo processo de lavagem a fim de eliminar resíduos do óleo.
Apresentando melhoras gradativas e sendo descontaminada do óleo, a tartaruga foi transferida, no dia 11 de outubro, para o Centro de Reabilitação do projeto, no município de Areia Branca, onde permaneceu até esta sexta.
Poucas horas antes de sua soltura, ainda no início da manhã, parecia inquieta no tanque onde estava sendo tratada, como se já adivinhasse o que aconteceria a seguir.
Segundo o coordenador do Centro de Reabilitação, o médico veterinário Augusto Bôaviagem, embora não se possa precisar com exatidão a idade da tartaruga, o animal é jovem e ainda não atingiu a maturidade sexual, podendo ter menos de uma década de vida.
A emoção do retorno
Por volta das 10h, ela foi levada de carro pelos membros do projeto até o cais da cidade de Upanema, onde, junto com uma tartaruga-verde que havia sido resgatada pelo projeto apresentando problemas respiratórios – não decorrentes de contaminação por óleo – foi levada de barco até uma distância de aproximadamente 15 quilômetros da praia.
Conforme explica o coordenador do Centro, a decisão de soltar o animal a uma distância considerável da praia segue uma orientação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para reduzir os riscos de nova contaminação, uma vez que o óleo está sendo encontrado já bastante próximo das praias.
Durante a viagem de barco, a pequena tartaruga não continha a ansiedade e a vontade de voltar para o mar após os dois meses de ausência, sendo contida ao longo de todo trajeto pelos membros do PCCB/UERN, que, por sua vez, não escondiam a alegria.
“Pra gente esse momento é um prazer imenso. A gente sabe do cuidado que teve e do quanto isso é importante”, destacou Paulo Henrique Pereira Martins, que atua no projeto como monitor de comunidade.
Para Paulo Henrique, esse tipo de iniciativa é importante não apenas para o restabelecimento da saúde dos animais resgatados, mas para que outras pessoas possam tomar essas ações como exemplo e atuarem também na preservação ambiental.
Junto com a ansiedade para voltar ao mar, a tartaruga levava também, em cada nadadeira, uma anilha – pequeno instrumento metálico utilizado para identificação – que, em caso de novo encalhe na praia, servirá para que todo seu histórico no projeto seja acessado.
Ao ser enfim solta no mar, após cerca de 40 minutos de viagem de barco, a tartaruga-oliva continuou visível por alguns segundos, até mergulhar de vez diante dos olhares, sorrisos e aplausos dos membros do projeto.
Se ao longo de dois meses recebeu cuidados, medicamentos e constante atenção, a pequena tartaruga sem nome, ao voltar para o mar vitoriosa da batalha contra o óleo que lhe manchava o corpo, a saúde e alegria, retribuiu todos os favores com uma lição: é através da união e da solidariedade que nos tornamos capazes de superar obstáculos e deixá-los para trás – seja de casco e barbatana, seja de corpo e alma lavados.
Fonte: UERN

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