Câmara: 505 deputados faltam ao primeiro dia de trabalho pós-recesso; apenas oito registraram presença na Casa


Plenário da Câmara quase vazio na primeira sessão do semestre (Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

Quinhentos e cinco deputados não voltaram ao trabalho após o fim do recesso parlamentar, que acabou na quinta-feira, 1º. Congressistas tiveram 19 dias de descanso, e, mesmo assim, “emendaram” a folga até a semana que vem. A Câmara só deve retomar as atividades na próxima terça-feira, 6, quando ocorre a primeira sessão deste semestre. A falta injustificada, segundo o regimento interno da Casa, causa corte no salário — mas apenas em dias de sessão deliberativa. Contabilizados os três dias úteis (quinta, sexta e segunda), de faltas, o valor descontado chegaria a R$ 1,69 milhão. Mas não haverá encolhimento nas remunerações dos parlamentares, de R$ 33,7 mil.
Dos 513 deputados com mandato, apenas oito registraram presença na Câmara. A lista inclui Fernando Rodolfo (PL-PE), Gonzaga Patriota (PSB-PE), Otaci Nascimento (Solidariedade-RR), Carmen Zanotto (Cidadania-SC), Bia Kicis (PSL-DF), Dr Zacharias Calil (DEM-GO), Darcísio Perondi (MDB-RS), Greyce Elias (Avante-MG). “Imagino que os meus colegas estejam trabalhando nas bases. O ritmo aqui é intenso. Vamos retomar a Previdência e a reforma tributária na semana que vem. Em dias normais, quinta-feira à tarde é dia de deixar Brasília e voltar para as bases. Então, teve gente que não veio”, explica Bia.
A deputada eleita pelo DF afirma ter passado os dias de recesso “trabalhando no gabinete”, e diz que é a favor do corte de salários de quem não vem trabalhar. “Mas o corte só ocorre em sessões deliberativas”, complementa. Bia Kicis explica que “muita gente acha que os deputados não trabalham” e que isso é uma “inverdade”, pois, nas palavras dela, “o deputado federal não pode ficar longe da base, onde também tem um trabalho muito grande para realizar”.
O deputado Darcísio Perondi também saiu em defesa dos colegas, dizendo que “parlamentares estão no interior, visitando fazendeiros e hospitais…”. O parlamentar fez reuniões com consultores legislativos para analisar Medidas Provisórias e discutir a pauta econômica do Banco Central. “Não vou entrar no mérito de corte de salário. A maioria esmagadora dos deputados está trabalhando, inclusive, mais que eu e mais que você”, referindo-se à reportagem.
Para o cientista político Felippo Madeira, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), muitos deputados podem ter se dado folga para “diluir a correria” das últimas semanas de trabalho antes do recesso, quando os aliados do presidente Jair Bolsonaro aceleraram a votação da Previdência chegando a virar noites analisando o mérito do texto. “De fato, houve um corre-corre nas últimas semanas pela aprovação da Previdência. Mas eles (os deputados) não podem se auto-compensar com folgas. Esse ‘enforcamento’ é tradicional na volta do recesso, especialmente quando o trabalho volta no fim da semana. Mas é certo? Não acho que seja”, pondera.
Embora o PT tenha a maior bancada da Casa, nenhum parlamentar filiado à sigla registrou presença no sistema eletrônico da Câmara. A presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PR), estava em visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há 500 dias em Curitiba (PR), acusado de corrupção. A Câmara informou que “é importante ressaltar que, conforme Ato da Mesa 66/10, o deputado só é obrigado a registrar presença em sessões deliberativas, ou seja, quando há votação”. (Com informações Correio Braziliense).

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