PM ocupa escola em Natal para reforçar segurança e evitar evasão de alunos

Para comandante do 9º Batalhão, garantia à educação deve diminuir trabalho da polícia a longo prazo (Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi)
Arrombada várias vezes e com alto índice de evasão, a Escola Estadual Maria Ilka de Moura, localizada no bairro do Bom Pastor, Zona Oeste de Natal, corria o risco de ser fechada. Para tentar remediar a situação, há 15 dias a Polícia Militar ocupa a escola com o objetivo de garantir segurança dos estudantes e professores.

Os sinais de arrombamento ainda são visíveis nas portas da escola. As salas de aula não têm mais ventiladores e até as lâmpadas foram levadas pelos criminosos. A coordenadora pedagógica da escola, Jaiane Dantas, contou que, em 2016, aconteceram dois arrombamentos em que os criminosos levaram praticamente tudo.

“A gente perdeu equipamentos que eram fundamentais para o trabalho dos alunos, dos professores, como computadores, instrumentos musicais que eram importantíssimos para o desenvolvimento de oficinas dentro da escola. A escola, na segunda-feira, muitas vezes com bebedouros quebrados, espelhos roubados, descargas quebradas”, descreveu.
Segundo a direção da escola, a Maria Ilka já chegou a ter 800 alunos, mas nos últimos anos o alto índice de evasão escolar levou a direção a fechar o turno da noite por falta de alunos. Hoje, frequentam a escola, nos turnos matutino e vespertino, apenas 260 alunos do Ensino Fundamental.

Há 15 dias, a Polícia Militar decidiu ocupar a escola. São sempre cinco policiais militares que ficam de serviço nos corredores da unidade. O objetivo, segundo o capitão Styvenson Valentim, comandante da 1° Companhia do 9° Batalhão, é garantir o direito das crianças à educação.
“O motivo da escola estar sendo abandonada é a evasão escolar, um dos motivos é a segurança. Não mexi com policiamento ostensivo nenhum, a polícia ostensiva continua na rua. A gente transferiu apenas os policiais [da parte administrativa] pra dentro da escola, com a autorização da diretora, com a concordância dos pais. Os alunos todos aceitaram essa medida", explicou o capitão.
A coordenadora pedagógica diz que, sem a ocupação da PM, a escola corria o risco de fechar as portas. “Esses arrombamentos e essa constante falta de segurança com certeza iam levar ao fechamento da escola, e isso era algo que nos preocupava”, disse.
PMs pintaram paredes para limpar sujeira e remover menções a facções criminosas (Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi)

Mantendo a ordem

Mais do que apenas vigiar, os policiais se preocupam em manter a escola em ordem. O soldado Leite chegou a ir voluntariamente à Maria Ilka em dia de folga para ajudar pintar as paredes. "A sala estava suja, muitas siglas de facções criminosas, então primeiro de tudo a gente deu uma limpeza, uma geral na sala de aula, a gente pintou, fez tudo o que tinha pra fazer, que a gente entende que na sala de aula é educação", afirmou o PM.
Com a escola ocupada pela PM, Silvia Bezerra, mãe de um dos alunos, se sente mais aliviada. Ela temia pela segurança do filho de 13 anos. “Eu ficava muito nervosa só de falar que meu filho vinha estudar aqui nessa escola, porque o pessoal falava muito dela, dizia que aqui tinha roubos, assaltos, e agora eu estou bem melhor, bem tranquila”, disse.
A polícia disse que não vai deixar a escola. "Devolvemos a eles a dignidade, devolvemos a esperança pra que eles possam sair, não entrar em contato com nenhuma parte criminosa. Isso vai diminuir muito o trabalho da Polícia Militar, no quesito de segurança, a longo prazo, e vai melhorar a sociedade", asseverou o capitão Styvenson.
Fonte: G1/RN



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